Mostrando postagens com marcador Cientistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cientistas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de julho de 2008

279 Reais por um Megabyte é caro? Pense de novo...

Segue uma reportagem que li ha algum tempo no site do Terra.

R$278,49 é quanto custa para baixar um megabyte do telescópio Hubble, na pior das hipóteses.

Acha muito caro? Um cientista da Universidade de Leicester, Dr. Nigel Bannister, descobriu que enviar mensagens de texto é quatro vezes mais caro... "O tamanho máximo de uma mensagem é de 160 caracteres, que ocupam apenas 140 bytes porque cada caractere ocupa apenas 7 bits no sistema de mensagens de texto, e nós assumimos que o custo médio de um SMS é de 5 centavos. Há 1,048,576 bytes em um megabyte, então 1 milhão de bytes dividido por 140 bytes dão 7490 mensagens para transimitir 1MB. A 5 centavos cada, são £374.49 (R$1.226,99) por megabyte - ou 4,4 vezes mais caro que a pior das estimativas para o custo de transmissão de dados do telescópio Hubble".

Esses são os custos na Inglaterra. Aqui no Brasil as coisas são ainda piores. Cada SMS custa em média 35 centavos*, então cada megabyte custaria R$1676,50 - 6 vezes mais caro que um megabyte do Hubble. Aliás, mesmo comparando com os planos de dados, os SMSs são absurdamente caros. Um megabyte no pré-pago da TIM (o mais caro) custa R$15,73 - depois de ver o preço do SMS parece até barato...

*R$0,30 na Claro, R$0,35 na Vivo e R$0,39 na TIM.

Leia Mais…

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Teoria de que Moisés estava drogado no Sinai cria polêmica

Pesquisador diz que profeta estava sob efeito de planta alucinógena quandio recebeu as Tábuas da Lei

Guila Flint - BBC

TEL-AVIV - O especialista em psicologia cognitiva Benny Shanon, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirma que Moisés, considerado o principal profeta da religião judaica, pode ter ingerido um alucinógeno como a substância ayahuasca, conhecida no Brasil como chá do Daime. A afirmação foi publicada nesta semana em um artigo na revista de filosofia Time and Mind e causou polêmica em Israel.

A idéia de que Moisés poderia estar sob a influência de "drogas" provocou a indignação de líderes religiosos em Israel e, segundo os críticos, a teoria de Shanon "é uma ofensa ao maior profeta do povo judeu". O rabino Yuval Sherlo disse à Radio Pública de Israel que "a teoria é absurda e nem merece uma resposta séria". De acordo com o rabino, a publicação da teoria de Shanon "põe em dúvida a seriedade tanto da ciência como da mídia".

Uma das obras de Benny Shanon, o livro Antipodes of the Mind, que analisa a relação entre a planta ayhuasca e a criação das religiões, foi publicado em 2003 pela Oxford University Press, uma das editoras acadêmicas mais renomadas do mundo.

Em entrevista à BBC Brasil, Shanon contou que começou a pesquisar a relação entre os efeitos de plantas e a criação das grandes religiões, quando ele próprio experimentou o chá do Daime no Brasil.

De acordo com o pesquisador, a criação dos Dez Mandamentos poderia ser conseqüência de uma experiência com substâncias psicotrópicas, que alteram o estado cognitivo do indivíduo, e se encontram em plantas existentes inclusive no deserto do Sinai.

Foi no deserto do Sinai que, segundo a tradição, Moisés teria recebido as Tábuas da Lei, consideradas a base da civilização judaico-cristã.

Brasil "Tudo começou quando estive no Brasil em 1991, a convite da Unicamp, para dar uma palestra sobre linguagem e pensamento", afirma Shanon. "Depois da palestra, viajei pelo Brasil por dois meses e experimentei pela primeira vez o chá do Daime em Rio Branco, no Acre."

"Também participei de rituais religiosos e espirituais do Santo Daime, apesar do fato de que não sou adepto de nenhuma religião", acrescenta o pesquisador.

"Tinha 42 anos naquela época, e a experiência mudou a minha visão do mundo", afirma. Comecei, então, a pesquisar os efeitos dessa planta sob o aspecto da minha área, a psicologia cognitiva."

"Muitas pesquisas já foram feitas sobre os efeitos da planta, mas principalmente na área da antropologia, e não da psicologia", diz Shanon.

"Os antropólogos geralmente escrevem apenas por meio da observação, mas sem experimentar, eles próprios, a substância", avalia o professor titular da Universidade Hebraica. "Acho que é como escrever um livro sobre música sem ouvir música."

Desde 1991, Shanon diz ter visitado o Brasil dezenas de vezes e afirma que já ingeriu o chá do Daime mais de 100 vezes.

Experiência "A substância abriu para mim uma dimensão do sagrado que nunca tinha vivenciado antes, tive visões muito fortes, inclusive de cantar junto com milhares de anjos", descreve o pesquisador israelense. "A experiência foi tão forte que me levou a querer integrá-la no estudo da fenomenologia da consciência humana."

"Estudei, então, todos os contextos culturais e religiosos ligados à ingestão da ayahuasca", conta Shanon.

"Cheguei à conclusão de que, nas religiões mais antigas, como a zoroastra e a hinduísta, também houve rituais ligados à ingestão de substâncias que levam a alterações cognitivas, nos quais os participantes 'viram Deus' ou 'viram vozes'."

O professor de psicologia cognitiva cita o fenômeno da sinestesia, em que se cria uma relação entre planos sensoriais diferentes e o indivíduo se encontra em um estado neurológico que possibilita que ele "veja sons".

"Na Bíblia, há frases como 'o povo viu as vozes', que me chamaram a atenção, pois descrevem exatamente a sinestesia que ocorre com a ingestão da ayahuasca", afirma Shanon. "Encontrei frases semelhantes em textos e cânticos de outras religiões."

Críticas O pesquisador, que já recebeu críticas de religiosos em Israel, diz que sua tese não constitui um desrespeito à religião, mas sim "uma tentativa de entender momentos tão importantes para toda a humanidade".

"Não acredito na visão ontológica, segundo a qual a história de Moisés e os Dez Mandamentos teria sido um evento cósmico extraordinário", afirma. "Mas também não acho que um momento tão importante possa ser considerado como uma simples lenda."

"A minha tese, segundo a qual as substâncias ingeridas por Moisés teriam gerado uma abertura cognitiva que possibilitou um contato com o sagrado, pode ser uma explicação razoável e também respeitosa de como a religião judaica nasceu", diz Shanon.

"Mas não é qualquer pessoa que ao ingerir a substância é capaz de criar os Dez Mandamentos, é necessário ser um Moisés para isso", acrescenta. "Ao meu ver, a ayhuasca libera uma criatividade interna, como a arte."

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Leia Mais…

sábado, 15 de março de 2008

Cientistas marcam data para o fim do planeta

Sábado, 15 de março de 2008, 09h59

No final, não restarão nem mesmo fragmentos. Caso não haja interferência com a natureza, dentro de 7,59 bilhões de anos a Terra será arrastada de sua órbita por um sol vermelho e inchado, e entrará em uma espiral que resultará em sua decomposição final em forma de gases. Tudo isso de acordo com cálculos recentes de dois astrônomos: Klaus-Peter Schroeder, da Universidade de Guanajuanato, no México, e Robert Connon Smith, da Universidade de Sussex, Inglaterra.

O relatório deles, que será publicado pelo Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, é a mais recente e pessimista adição a um longo debate sobre o destino do nosso planeta. No ano passado, por exemplo, a descoberta de um planeta gigante percorrendo sua órbita em torno de uma estrela extinta em Pégaso sugeria que a Terra poderia sobreviver à morte do Sol.

Smith classificou a nova previsão como "um tanto deprimente", em uma série de mensagens de e-mail. Mas, "observada por outro ângulo", acrescentou, "ela representa incentivo para que façamos alguma coisa para encontrar maneiras de deixar nosso planeta e colonizar outras áreas da galáxia".

O problema básico da Terra é que o Sol se tornará gradualmente maior e mais luminoso, de acordo com teorias amplamente aceitas de evolução estelar. Em seus primeiros 4,5 bilhões de anos, de acordo com esses modelos, o Sol já cresceu em 40%.

Nas eras vindouras, a vida na Terra se tornará mais úmida e mais desconfortável, até que por fim se torne impossível. "Mesmo que a Terra conseguisse escapar à absorção pelo Sol", disse Mario Livio, astrônomo no Instituto de Ciências de Telescopia Espacial, "ela ainda ficaria completamente calcinada, e a vida que abriga estaria extinta".

Dentro de um bilhão de anos, o Sol deve se tornar 10% mais brilhante do que hoje. Os oceanos da Terra se evaporarão. O Sol esgotará o hidrogênio combustível em seu núcleo dentro de cerca de 5,5 bilhões de anos, e começará a queimar hidrogênio das camadas adjacentes. Como resultado, o núcleo encolherá e as camadas externas se expandirão velozmente, e o Sol se transformará em uma estrela do tipo gigante vermelha.

O calor desse período final de agonia transformará o Sistema Solar. No Cinturão de Kuyper, para lá de Netuno, haverá primavera por algum tempo. Mercúrio e Vênus serão certamente engolidos, mas o destino da Terra nunca foi confirmado.

A razão para isso é que, ao se inchar, o Sol expelirá porção substancial de sua massa. Com isso, o domínio gravitacional que exerce sobre os planetas será debilitado, e estes recuarão para órbitas mais distantes. A Terra poderia acabar na posição hoje ocupada por Marte, "no limite entre ser engolida ou escapar", disse Livio.

Determinar se a Terra será engolida depende de qual dentre dois efeitos sairá vitorioso. Ao mesmo tempo que a Terra estará recuando a uma posição mais segura, as forças que interagem entre ela e o Sol em expansão tentarão arrastar o planeta para mais próximo da estrela.

Em 2001, uma análise dessas forças por Kacper Rybicki, do Instituto Polonês de Geofísica, e Carlos Denis, da Universidade de Liege, concluiu que as perspectivas pareciam desfavoráveis, mas que a Terra poderia ter chance de sobreviver.

No entanto, de acordo com Smith e Schroeder, a chance é zero. Uma das chaves para o trabalho deles é uma nova forma de calcular quanta massa o Sol perderia em sua expansão cataclísmica, e assim que tamanho ele atingiria e até que ponto a Terra se afastaria dele. Quanto mais massa for perdida, paradoxalmente maior a expansão do Sol, como um balão cujo elástico enfraquece quando ele se distende.

Usando uma nova técnica desenvolvida por Schroeder e Manfred Cuntz, da Universidade do Texas em Arlington, os autores calcularam que a perda de massa equivaleria a um terço da massa original do Sol, ante estimativas anteriores da ordem de 25%.

Como resultado, a versão vermelha e agigantada do Sol ¿ em seu ponto de máxima expansão - seria 256 vezes maior do que hoje, e 2.730 vezes mais luminosa.

A Terra, calcinada e estéril, deslizaria por sobre as ondas da estrela gigante, o que causaria uma bolha no sol. A fricção levaria a bolha a persistir, tentando acompanhar a Terra. A gravitação da bolha desaceleraria o planeta, e o colocaria em trajetória espiral na direção do Sol, onde a fricção com gases da atmosfera solar expandida ou desaceleraria ainda mais.

E então a Terra se precipitaria rumo ao Sol.

Será que os robôs, baratas ou quem quer domine a Terra dentro de um bilhão de anos poderiam escapar disso? Uma opção seria abandonar o planeta em troca de outro, ou de outro sistema solar.

Outra opção, diz Smith, seriam obras de engenharia de larga escala e risco imenso. Da mesma forma que naves espaciais podem usar as forças gravitacionais de planetas como Vênus ou Júpiter para ganhar empuxo em suas viagens, a Terra poderia promover encontros regulares com cometas ou asteróides que elevassem sua órbita e a afastassem mais do Sol, de acordo com estudo de Don Korycansky e Gregory Laughlin, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, e Fred Adams, da Universidade do Michigan, publicado em 2001.

Mas Laughlin diz que eles não defendem a idéia de alterar a órbita terrestre, afirmando que um erro de cálculo poderia causar choque entre o cometa e o planeta.

"Há questões éticas profundas em jogo", afirmou ele em mensagem de e-mail, "e o custo de um fracasso seria inaceitavelmente elevado".

De qualquer forma, uma manobra como essa tornaria a Terra mais viável por apenas mais alguns bilhões de anos.

Leia Mais…

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Como morreu Jesus

Médico legista dos EUA faz uma inédita autópsia de Cristo e explica, cientificamente, o que ocorreu em seu corpo durante o calvário

Fonte: Revista ISTO É

De duas, uma: sempre que a ciência se dispõe a estudar as circunstâncias da morte de Jesus Cristo, ou os pesquisadores enveredam pelo ateísmo e repetem conclusões preconcebidas ou se baseiam exclusivamente nos fundamentos teóricos dos textos bíblicos e não chegam a resultados práticos. O médico legista americano Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Columbia, acaba de quebrar essa regra. Ele dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina, o que lhe assegurou a imparcialidade do estudo. Temente a Deus e católico fervoroso, manteve ao longo do trabalho o amor, a devoção e o respeito que Cristo lhe inspira. Zugibe, 76 anos, juntou ciência e fé e atravessou meio século de sua vida debruçado sobre a questão da verdadeira causa mortis de Jesus. Escreveu três livros e mais de dois mil artigos sobre esse tema, todos publicados em revistas especializadas, nos quais revela como foi a crucificação e quais as conseqüências físicas, do ponto de vista médico, dos flagelos sofridos por Cristo durante as torturantes 18 horas de seu calvário. O interesse pelo assunto surgiu em 1948 quando ele estudava biologia e discordou de um artigo sobre as causas da morte de Jesus. Desde então, não mais deixou de pesquisar e foi reconstituindo com o máximo de fidelidade possível a crucificação de Cristo. Nunca faltaram, através dos séculos, hipóteses sobre a causa clínica de sua morte. Jesus morreu antes de ser suspenso na cruz? Morreu no momento em que lhe cravaram uma lança no coração? Morreu de infarto? O médico legista Zugibe é categórico em responder “não”. E atesta a causa mortis: Jesus morreu de parada cardiorrespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluidos corpóreos (choque hipovolêmico), isso combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos. Para se chegar a esse ponto é preciso, no entanto, que antes se descreva e se explique cada etapa de seu sofrimento.

Zugibe trabalhou empiricamente. Ele utilizou uma cruz de madeira construída nas medidas que correspondem às informações históricas sobre a cruz de Jesus (2,34 metros por 2 metros), selecionou voluntários para serem suspensos, monitorou eletronicamente cada detalhe – tudo com olhos e sentidos treinados de quem foi patologista-chefe do Instituto Médico Legal de Nova York durante 35 anos. As suas conclusões a partir dessa minuciosa investigação são agora reveladas no livro A crucificação de Jesus – as conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal, recém-lançado no Brasil (Editora Idéia e Ação, 455 págs., R$ 49,90). “Foi como se eu estivesse conduzindo uma autópsia ao longo dos séculos”, escreve o autor na introdução da obra. Trata-se de uma viagem pela qual ninguém passa incólume – sendo religioso, agnóstico ou ateu. O ponto de partida é o Jardim das Oliveiras, quando Jesus se dá conta do sofrimento que se avizinha: condenação, açoitamento e crucificação. Relatos bíblicos revelam que nesse momento “o seu suor se transformou em gotas de sangue que caíram ao chão”. A descrição (feita pelo apóstolo Lucas, que era médico) condiz, segundo o legista, com o fenômeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte stress mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se então ao suor que é expelido pelo corpo.

Fala-se sempre das dores físicas de Jesus, mas o seu tormento e sofrimento mental, segundo o autor, não costumam ser lembrados e reconhecidos pelos cristãos: “Ele foi vítima de extrema angústia mental e isso drenou e debilitou a sua força física até a exaustão total.” Zugibe cita um trecho das escrituras em que um apóstolo escreve: “Jesus caiu no chão e orou.” Ele observa que isso é uma indicação de sua extrema fraqueza física, já que era incomum um judeu ajoelhar-se durante a oração. A palidez com que Cristo é retratado enquanto está no Jardim das Oliveiras é um reflexo médico de seu medo e angústia: em situações de perigo, o sistema nervoso central é acionado e o fluxo sangüíneo é desviado das regiões periféricas para o cérebro, a fim de aguçar a percepção e permitir maior força aos músculos. É esse desvio do sangue que causa a palidez facial característica associada ao medo. Mas esse era ainda somente o começo das 18 horas de tortura. Após a condenação, Jesus é violentamente açoitado por soldados romanos por ordem de Pôncio Pilatos, o prefeito de Judéia. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados. Em geral, eles tinham três tiras e cada uma possuía na ponta pedaços de ossos de carneiro ou outros objetos pontiagudos. A conclusão é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na chamada Lei Mosaica), o que equivale na prática a 117 golpes, já que o chicote tinha três pontas. As conseqüências médicas de uma surra tão violenta são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios. “A vítima era reduzida a uma massa de carne, exaurida e destroçada, ansiando por água”, diz o legista.

Ao final do açoite, uma coroa de espinhos foi cravada na cabeça de Jesus, causando sangramento no couro cabeludo, na face e na cabeça. Também nesse ponto do calvário, no entanto, interessa a explicação pela necropsia. O que essa coroa provocou no organismo de Cristo? Os espinhos atingiram ramos de nervos que provocam dores lancinantes quando são irritados. A medicina explica: é o caso do nervo trigêmeo, na parte frontal do crânio, e do grande ramo occipital, na parte de trás. As dores do trigêmeo são descritas como as mais difíceis de suportar – e há casos nos quais nem a morfina consegue amenizá-las. Em busca de precisão científica, Zugibe foi a museus de Londres, Roma e Jerusalém para se certificar da planta exata usada na confecção da coroa. Entrevistou botânicos e em Jerusalém conseguiu sementes de duas espécies de arbustos espinhosos. Ele as plantou em sua casa, elas brotaram e cresceram. O pesquisador concluiu então que a planta usada para fazer a coroa de espinhos de Jesus foi o espinheiro- de-cristo sírio, arbusto comum no Oriente Médio e que tem espinhos capazes de romper a pele do couro cabeludo. Após o suplício dessa “coroação”, amarraram nos ombros de Jesus a parte horizontal de sua cruz (cerca de 22 quilos) e penduraram em seu pescoço o título, placa com o nome e o crime cometido pelo crucificado (em grego, crucarius). Seguiu-se então uma caminhada que os cálculos de Zugibe estimam em oito quilômetros. Segundo ele, Cristo não carregou a cruz inteira, mesmo porque a estaca vertical costumava ser mantida fora dos portões da cidade, no local onde ocorriam as crucificações. Ele classifica de “improváveis” as representações artísticas que o mostram levando a cruz completa, que então pesaria entre 80 e 90 quilos.

Ao chegar ao local de sua morte, as mãos de Jesus foram pregadas à cruz com pregos de 12,5 centímetros de comprimento. Esses objetos perfuraram as palmas de suas mãos, pouco abaixo do polegar, região por onde passam os nervos medianos, que geram muita dor quando feridos. Já preso à trave horizontal, Cristo foi suspenso e essa trave, encaixada na estaca vertical. Os pés de Jesus foram pregados na cruz, um ao lado do outro, e não sobrepostos – mais uma vez, ao contrário do que a arte e as imagens representaram ao longo de séculos. Os pregos perfuraram os nervos plantares, causando dores lancinantes e contínuas.

Preso à cruz, Cristo passou a sofrer fortes impactos físicos. Para conhecê-los em detalhes, o médico legista reconstituiu a crucificação com voluntários assistidos por equipamentos médicos. Os voluntários tinham entre 25 e 35 anos e o monitoramento físico incluiu eletrocardiograma, medição da pulsação e da pressão sangüínea. Eletrodos cardíacos foram colados ao peito dos voluntários e ligados a instrumentos para testar o stress e os batimentos cardíacos. Todos os voluntários observaram que era impossível encostar as costas na cruz. Eles sentiram fortes cãibras, adormecimento das panturrilhas e das coxas e arquearam o corpo numa tentativa de esticar as pernas.

A partir desse derradeiro, corajoso e ousado experimento realizado por Zugibe, ele passou a discutir o que causou de fato a morte de Cristo. Analisou três teorias principais: asfixia, ruptura do coração e choque traumático e hipovolêmico – por isso a importância médica e fisiológica de se ter descrito, anteriormente e passo a passo, o processo de tortura física e psíquica a que Jesus foi submetido. A teoria mais propagada é a da morte por asfixia, mas ela jamais foi testada cientificamente. Essa hipótese sustenta que a posição na cruz é incompatível com a respiração, obrigando a vítima a erguer o corpo para conseguir respirar. O ato se repetiria até a exaustão e ele morreria por asfixia quando não tivesse mais forças para se mover. Defende essa causa mortis o cirurgião francês Pierre Barbet, que se baseou em enforcamentos feitos pelo Exército austro-germânico e pelos nazistas no campo de extermínio de Dachau. Zugibe classifica essa tese de “indefensável” sob a perspectiva médica. Os exemplos do Exército ou do campo de concentração não valem porque os prisioneiros eram suspensos com os braços diretamente acima da cabeça e as pernas ficavam soltas no ar. Não é possível comparar isso à crucificação, na qual o condenado é suspenso pelos braços num ângulo de 65 a 70 graus do corpo e tem os pés presos à cruz, o que lhe dá alguma sustentação. Experimentos feitos com voluntários atados com os braços para o alto da cabeça mostraram que, em poucos minutos, eles ficaram com capacidade vital diminuída, pressão sangüínea em queda e aumento na pulsação. O radiologista austríaco Ulrich Moedder também derruba o raciocínio de Barbet afirmando que esses voluntários não suportariam mais de seis minutos naquela posição sem descansar. Pois bem, Jesus passou horas na cruz.

Quanto à hipótese de Cristo ter morrido de ruptura do coração ou ataque cardíaco, Zugibe alega ser muito difícil que isso ocorra a um indivíduo jovem e saudável, mesmo após exaustiva tortura: “Arteriosclerose e infartos do miocárdio eram raros naquela parte do mundo. Só ocorriam em indivíduos idosos.” Ele descarta a hipótese por falta de provas documentais. Prefere apostar no choque causado pelos traumas e pelas hemorragias. A isso somaram-se as lancinantes dores provenientes dos nervos medianos e plantares, o trauma na caixa torácica, hemorragias pulmonares decorrentes do açoitamento, as dores da nevralgia do trigêmeo e a perda de mais sangue depois que um dos soldados lhe arremessou uma lança no peito, perfurando o átrio direito do coração. Zugibe usa sempre letras maiúsculas nos pronomes que se referem a Jesus e se vale de citações bíblicas revelando a sua fé. Indagado por ISTOÉ sobre a sua religiosidade, ele diz que os seus estudos aumentaram a sua crença em Deus: “Depois de realizar os meus experimentos, eu fui às escrituras. É espantosa a precisão das informações.” Ao final dessa viagem ao calvário, Zugibe faz o que chama de “sumário da reconstituição forense”. E chega à definitiva causa mortis de Jesus, em sua científica opinião: “Parada cardíaca e respiratória, em razão de choque traumático e hipovolêmico, resultante da crucificação.”

Zugibe contra Mel Gibson

Filme americano A paixão de Cristo (2005), de Mel Gibson (foto), é duramente criticado pelo médico Frederick Zugibe. Ele afirma que a produção tem equívocos médicos, científicos e históricos. Os erros:

• Jesus leva um violento golpe no olho no Jardim das Oliveiras. De acordo com Zugibe, ele não foi agredido nessa fase de seu calvário. • Apenas o aramaico e o latim são falados no filme. Ficou de fora o grego, principal idioma da Terra Santa na época de Jesus. • A parte da frente do corpo de Jesus também é açoitada, o que contraria os escritos antigos. • Jesus leva uma cruz de 80 a 90 quilos. Zugibe afirma que só a barra horizontal era carregada e a vertical ficava pregada ao chão do lado de fora dos portões da cidade. • O descanso para os pés mostrado no filme é uma invenção de artistas do século passado, segundo Zugibe. • Ao contrário do que mostra o filme, a água e o sangue não jorram do peito de Jesus após a retirada da lança. Escorrem suavemente.

Leia Mais…